segunda-feira, 4 de abril de 2011

Consumo inconsciente e crédito fácil: pesadelos nacionais?

Posted: 01 Apr 2011 06:12 AM PDT
Consumo inconsciente e crédito fácil: pesadelos nacionais?Hoje vamos conversar um pouquinho sobre crédito. Nada me tira da cabeça que o brasileiro tem, no crédito, ou melhor, na forma como lida com o crédito, um grande problema. Meu temor se deve pela constatação de que em breve teremos dados que selarão o aumento na inadimplência. É importante lembrar e observar, com muita preocupação, que ainda temos juros estratosféricos nas mais diversas operações. Juros que, em parte, respondem pelo esperado aumento na inadimplência.
E se os juros altos não são capazes de conter o apetite pelos financiamentos (que ficam caros e pesados), fica claro que o problema também é cultural. O brasileiro comum parece não se importar com o valor dos juros na hora de financiar ou tomar um empréstimo, especialmente aquele brasileiro que está financiando o consumo direto.
Um dos jornalistas que melhor escreve sobe economia no Brasil, José Paulo Kupfer, abordou a questão no artigo “Por que não limitar o número de prestações?”, em seu blog no Estadão:
“Em razão de uma longa história de convivência com necessidades de consumo não atendidas, em ambiente de inflação e juros altos, os brasileiros aprenderam a decidir por consumo financiado, a partir não dos níveis dos juros e do número de prestações, mas de duas outras variáveis: o encaixe do valor da prestação no orçamento e as perspectivas de sustentação de volume de renda suficiente para absorver os crediários”
Falta planejamento para comprar?
A constatação de que o brasileiro planeja as compras apenas considerando encaixar as prestações no orçamento me preocupa. Afinal, por que nos sujeitar a comprar algo e pagar muito mais caro por isso, se com um pouco de disciplina e planejamento esse mesmo bem seria adquirido de forma muito mais barata e saudável?
Os valores despendidos com o pagamento de juros poderiam e deveriam estar em outro lugar: na formação de patrimônio, no lazer, na carreira, família e etc., sendo utilizados em prol de quem trabalha, e não o contrário, como observamos sempre.
Nada me tira da cabeça que o consumo desenfreado está cada dia mais ligado ao fato de que muitos ainda não aprenderam a lidar com as frustrações cotidianas. Assim, muita gente busca nas compras exageradas (consumo inconsciente) uma recompensa (ingrata) para suportar a cobrança íntima de sucesso. Péssimo negócio!
A inadimplência irá crescer!
No decorrer do ano, vamos ouvir cada vez mais notícias relacionadas ao aumento da inadimplência. O Brasil não vai entrar em recessão, longe disso, mas o momento é de incertezas em relação à economia. Com a inflação em alta, novas correções nos juros poderão vir para conter o ímpeto do mercado. Não estão descartadas novas medidas de contenção ao crédito e entrada de dólares no país - quem utiliza o cartão de crédito internacional já começou a sentir as consequências com o aumento do IOF.
A cada dia fica mais claro que o consumo é necessário, faz o país crescer, gera empregos e cria oportunidades para todos. É verdade. O grande perigo é fazer do consumo uma simples armadilha de crédito. Comprar e não conseguir pagar ou comprar e ficar todo enrolado não ajuda em nada.
Crédito fácil não é sinônimo de crédito barato, não canso de afirmar isso. E mesmo que tivéssemos créditos com juros mais civilizados (estamos longe disso), o consumo consciente ainda seria nossa principal fonte de inspiração – negociações feitas de forma planejada e com recursos próprios.
Nada dará mais prazer do que alcançar o objetivo de compra, usando a inteligência financeira para comprar pagando à vista, sem recorrer a dívidas e com bons descontos. Pense nisso e conte pra gente sua opinião. Bom final de semana.
Foto de sxc.hu.



sexta-feira, 1 de abril de 2011

Educação financeira: mais lazer e felicidade nas viagens e férias


Educação financeira possibilitam mais lazer e felicidade nas viagens e fériasSempre que analiso com calma o orçamento de algum amigo, percebo que existe uma questão muito importante que fica de lado: quase sempre não há preocupação em reservar espaço no orçamento para planejar algo importante e que considero fundamental, o lazer. Quem não quer viajar mais, melhor e ter férias mais divertidas e menos problemáticas, especialmente na questão financeira?
Contabilizando o lazer
Não que as pessoas não encontrem ou empreguem tempo e dinheiro para essas atividades. O fato que mais chama atenção é que não existe, na maior parte das vezes, o planejamento ativo para que a diversão não represente dor de cabeça na hora de contabilizar os gastos do mês ou da viagem. É aquela história: “depois a gente decide como vai pagar por isso e aquilo”.
Aí entra um detalhe interessante, um erro que relacionado com os gastos de viagem/férias e também em outros pontos do orçamento: considerar as despesas como simples gastos com “Cartão de Crédito”. Fica faltando categorizar melhor os gastos, o que dificulta uma análise mais rica das despesas e suas prioridades.
O cartão de crédito não é uma despesa – é um meio de pagamento – e não deveria ser um item de gasto puro em sua planilha de orçamento. O cartão é uma ferramenta que, quando bem utilizada, pode ser interessante para o controle e segurança das transações. Mas as despesas com ele realizadas precisam ser categorizadas de forma independente, como você faria para os gastos em dinheiro ou cheque.
Como planejar bem as férias?
Outro ponto que considero de lazer e que poucos planejam é o período de férias, uma época que toda família merece curtir com tempo e tranquilidade. Boa parte das pessoas acaba financiando as férias (e os gastos decorrentes da viagem), fazendo com que a volta da diversão seja repleta de incertezas e contas para pagar.
A inteligência financeira deve agir ao lado de quem usa o bom senso e se antecipa aos fatos. É possível conciliar o orçamento financeiro às férias dos sonhos:
§ Descubra quando custará suas férias. Esse é o primeiro e fundamental passo, pois só assim o seu planejamento poderá ser feito de forma contundente e correta. Importante falar que em alguns períodos do ano sua viagem pode ser mais barata (tente fugir da chamada alta temporada);
§ Defina quanto precisará poupar para realizar sua viagem de férias. Agora que já sabe quanto precisará pagar, é o momento de olhar com calma para seu orçamento e dedicar um pouco de esforço para cortar gastos (se for o caso) e destinar um percentual, todo mês, para a nova meta;
§ Poupe pelo tempo necessário. Talvez seu orçamento não permita que seu sonho, isto é, sua viagem dos sonhos, seja realizada em pouco tempo. Se este for seu caso, não perca o foco ou a disposição em economizar e garantir as férias sem dívidas. Converse com sua família e mostre a todos os benefícios de planejar um período de diversão, não de preocupações. Vale a pena.
A maior parte das pessoas vive uma rotina acelerada, é verdade. Reuniões e mais reuniões, estresse do trabalho e o pouco tempo que sobra deve ser efetivamente aproveitado para atividades de lazer, que acaba sendo muitas vezes só um sonho. Trabalhe com valores que possibilitem a diversão sincera, sem abusar do endividamento. Agir assim alivia as pressões e colabora para seu desenvolvimento pessoal e familiar.
Boa diversão, mas com planejamento. Combinado?


segunda-feira, 28 de março de 2011

A união faz a força das pequenas empresas

O mundo das start-ups e pequenas empresas pode ser comparado a um perigoso oceano. Esses empreendimentos são peixes pequenos, que separados aumentam as chances de serem eliminados pelos grandes predadores. A solução? Unirem-se para nadar como um peixe só. Essa é a metáfora utilizada por Nellie Akalp, CEO do site CorpNet.com, e tirada do livro infantil “Swimmy”, para identificar o universo desses negócios e como eles devem se comportar.
A autora escreveu um artigo para o site Mashable, afirmando que “agora, mais do que nunca, pequenos negócios precisam se unir para competir com suas contrapartes maiores”. E o que isso significa? “Se você é um pequeno negócio, busque relações simbióticas e colaborativas com outros negócios como você, sempre que possível”, afirma Nellie.
Abaixo você confere algumas dicas da própria autora para criar esse tipo de laços.
- Crie um grupo de encontro de empreendedores:
O mundo dos negócios é feito de contatos e referências. Crie encontros periódicos com empresários como você, em um café ou uma área de conferência em um hotel, e tente criar relações colaborativas em que vocês possam trocar conselhos, dicas e outras informações que ajudem no crescimento do seu negócio. Você pode usar redes sociais como Twitter e Facebook para encontrar essas pessoas e marcar os encontros.
- Una-se a uma comunidade virtual de Startups
Se encontros “ao vivo” não fazem seu estilo, junte-se a comunidades ou fóruns de discussão on-line. Pode ser Facebook e Orkut ou até algo mais específico como a comunidade da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios no Ning.
- Sempre retribua
Esse tipo de networking é sempre uma via de duas mãos. Então sempre que você tiver oportunidade, ajude colegas empreendedores. Esse tipo de auxílio sempre traz retorno.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Conheça os riscos de manter uma empresa inativa

Geraldo Nunes

Conheça os riscos de manter uma empresa inativa

Por Welinton Mota*
Uma pessoa jurídica é considerada inativa a partir do mês em que não realizar qualquer atividade operacional, não operacional, patrimonial ou financeira, inclusive aplicação no mercado financeiro ou de capitais. O pagamento de tributo relativo aos anos-calendário anteriores e de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não descaracterizam a pessoa jurídica como inativa no ano-calendário.
O erro mais comum são essas empresas não entregarem as chamadas obrigações acessórias. As empresas inativas estão “dispensadas” da entrega mensal da DCTF, do DACON e da GFIP, desde que se mantenham nessa situação (inativa) durante todo o ano-calendário. Por outro lado, não estão dispensadas da entrega da DIPJ-Inativa.
Para se ter uma idéia, segue abaixo as principais multas que uma empresa de prestação de serviços está sujeita no município de São Paulo caso deixe de apresentar suas obrigações fiscais:
1 - DCTF mensal (Declaração de Créditos e Débitos de Tributos Federais) – prazo de entrega é até o 15º dia útil do segundo mês seguinte ao de referência (as empresas inativas estão dispensadas).
a – Multa pela não entrega ou entrega após o prazo é de 2% ao mês, ou fração de mês, sobre o total dos impostos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pagos, limitada a 20%;
b – O valor da multa é de no mínimo de R$ 500,00. No caso de pessoa jurídica inativa, a multa mínima é de R$ 200,00.
2 - DACON Mensal (Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais PIS/Cofins) – o prazo de entrega é até o 5º dia útil do segundo mês seguinte ao de referência (as empresas inativas estão dispensadas).
a – A falta de entrega ou entrega após o prazo implica em multa de 2% ao mês, ou fração de mês, sobre o total dos impostos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pagos, limitada a 20%;
b – A multa mínima é de R$ 500,00. Em se tratando de pessoa jurídica inativa, a multa mínima é de R$ 200,00.
3 - DIPJ anual (Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica) – O prazo de entrega é até 30 de junho do ano seguinte.
a – A multa para quem não entrega ou perde o prazo de entrega é de 2% ao mês, ou fração de mês, sobre o total imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ 2010, ainda que integralmente pago, limitada a 20%.
b – A multa mínima é de R$ 500,00. Para pessoa jurídica inativa ou do Simples Nacional, a multa mínima é de R$ 200,00.
4 - GFIP mensal (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) – O prazo de entrega é até o dia 7 do mês seguinte (estão dispensadas as empresas inativas e as sem movimento).
a – A multa no caso de falta de entrega ou entrega após o prazo é de 2% ao mês, ou fração de mês, sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, limitada a 20%;
b – A multa mínima chega a R$ 500,00 ou a R$ 200,00 caso não haja informações a declarar.
5 - DES (Declaração Eletrônica de Serviços), vale para o município de São Paulo – O prazo de entrega é o último dia do segundo mês seguinte ao mês de incidência.
a – A multa chega a R$ 67,07, por declaração, aos que a apresentarem a DES fora do prazo estabelecido em regulamento;
b – O valor da multa é de R$ 134,16, por declaração, aos que deixarem de apresentá-la.
Além das multas acima, há inúmeras outras penalidades específicas para determinados tipos de operações. É importante reforçar que as empresas do Simples Nacional estão dispensadas da entrega mensal da DCTF e do DACON.
Em síntese, a lei tem efeito contra todos. Aquele que não cumprir as exigências da legislação tributária estará sujeito às penalidades acima. O alerta que se faz é no sentido de que o empresário mantenha suas obrigações fiscais em dia para não ter surpresas desagradáveis, isto é, para não ficar compelido a pagar as pesadas multas previstas na legislação.

*Welinton Mota é diretor tributário da Confirp Consultoria Contábil