terça-feira, 10 de maio de 2011

Pequenas empresas inovam para reter seus talentos

SÃO PAULO - É uma disputa que muitos consideram difícil de vencer. De um lado, micro e pequenas empresas tentam reter seus bons funcionários; de outro, grandes corporações contam com dinheiro e benefícios mais do que atraentes para ganhar a batalha. Se essa era uma luta perdida, hoje as pequenas perceberam a necessidade de investir na retenção.
"As empregadoras menores têm fama de formar o profissional, mas não conseguir mantê-lo por não poder oferecer salários maiores", diz o consultor do Sebrae - SP Ruy Soares de Barros. "Mas há maneiras de manter o funcionário sem dar aumento."
Elaine Saad, gerente-geral da consultoria Right Management, concorda. Segundo ela, competir em valores é um erro, porque a chance de perder é alta, mesmo que, em média, a diferença entre o salário atual e o oferecido seja de apenas 10%. É hora, diz Elaine, de tirar vantagem do que só uma empresa de pequeno porte pode oferecer. "É possível compensar a remuneração mais baixa com tratamento único e especial para cada empregado", diz. Para o sócio da Recruiters, empresa de seleção de pessoas, Othamar Gama Filho, é preciso ser criativo e usar de persuasão.
"Crie um clima amigável na empresa, seja mais aberto na forma de comandar e deixe que os funcionários opinem sobre os rumos do seu negócio", sugere. Fora de caixa. Em 2007, a francesa Alexandrine Brami abriu a escola de francês Ifesp e contratou Pauline Charoki para ser professora, mas percebeu nela uma sócia em potencial."Ela tinha habilidades que eu não tinha, por isso propus a parceria", afirma Alexandrine. Entre a contratação e a sociedade, foram apenas três meses. "Senti que havia oportunidade para crescer e dei o máximo de mim", diz Pauline.
Hoje, a empresa conta com 15 funcionários - sendo seis professores - e uma política criativa de retenção. Os professores, que têm um perfil mais maduro, usam os contatos da Ifesp para conseguir "bicos" de tradução, o que é incentivado pela direção. O restante do grupo é composto de jovens que recebem projetos específicos para comandar dentro da empresa. "Lidamos com perfis diferentes de maneiras específicas. Os jovens, não querem estabilidade, mas desafios", diz Alexandrine.
Além disso, os demais empregados ganham bolsa integral de francês e também podem fazer críticas e sugerir ações toda sexta-feira, dia voltado ao debate.
Já a consultoria Plura, que trabalha na inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho,foi radical para barrar o assédio a sua mão de obra especializada.
Para incentivar os empregados a permanecerem na empresa, oferece sociedade. "O funcionário passa por níveis e, se mostrar capacidade, é convidado a assumir a responsabilidade. É um plano de carreira que termina com ele dividindo o comando", conta o presidente da empresa, Alex Vicintin.
Dos 17 funcionários da Plura, 12 já são sócios e participam da divisão dos lucros, além do salário. "Alguns clientes já tentaram recrutá-los. Mas eles não saem. Estão comprometidos com a companhia", diz Vicintin. Na competitiva área de tecnologia, o gerente de projeto Raide da Silva, da Websoftware, arranjou uma forma simples de estimular a permanência de seus oito programadores na empresa.
Ao perceber que alguns moravam longe, ele organizou uma república perto da sede, com direito a transporte ao trabalho. Além disso, deu pequenos mimos no serviço, como máquina de café e lanches, e financia metade dos cursos na área. O resultado é claro: há um ano e meio, ninguém sai. "Estamos ajustados."

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Felicidade: o lançamento do Século XXI

Posted: 04 May 2011 07:44 AM PDT
Felicidade: o lançamento do Século XXIHá alguns dias atrás li um artigo muito interessante do filósofo francês Pascal Bruckner, intitulado “Condemned to Joy” (Condenados à Felicidade). No artigo, o autor passeia pela História da Humanidade evidenciando a relação do Homem com esse sentimento até chegar aos dias de hoje, onde vivenciamos o “Culto à Felicidade”. Essa disseminação indiscriminada da idéia de que temos a obrigação de sermos felizes e fazermos nossos filhos felizes é bastante perigosa.
Primeiro, porque é a maneira mais eficaz de enlouquecer a humanidade – e isso não é difícil de constatar, já que o mal deste século se resume ao tédio e à sua expressão mais poderosa: a depressão, presente até em crianças! Segundo, porque a felicidade é colocada como algo que pode ser adquirido através do consumo dos mais variados bens e serviços: carros, casas, terapias, cirurgias, cursos, viagens, cosméticos, tratamentos etc.
Como o próprio texto diz, a felicidade nos foi negada durante muito tempo, mas agora está disponível em uma loja perto de você e pode até ser entregue, em sua casa, em apenas um dia útil após a confirmação do pagamento!
A felicidade é o grande "lançamento" do século XXI e todo mundo quer tê-la (e pode tê-la). Como se “ser feliz” fosse a nossa grande recompensa ou a grande meta da Humanidade, quando na verdade essa grande recompensa ou meta é o EQUILÍBRIO. E, veja que coisa curiosa: quanto mais nós buscamos a felicidade, mais desequilíbrios nós causamos aos nossos filhos, a nós mesmos, à nossa comunidade, ao planeta e por aí vai.
Sem querer enveredar por um discurso “ecológico-bola-da-vez”, a busca e a tendência ao equilíbrio são marcas registradas do nosso planeta. É uma coisa que, de tão óbvia, parece que nem existe. As leis naturais que estão aí desde antes da nossa aparição sobre a face da Terra – e que provavelmente continuarão a existir mesmo que a nossa espécie desapareça – nos ensinam, ou pelo menos nos alertam, para essa grande meta.
A Humanidade sempre se relacionou com a natureza – que afinal é o que, em última instância, dita a qualidade de vida e de morte neste planeta (e não os avanços tecnológicos, que claro têm seu valor) – como se ela fosse uma vilã e não uma mestra.
Teimamos em negar a busca pelo equilíbrio em nome da busca pela felicidade. Entretanto, essa atitude traz como efeito colateral o medo da fragilidade, o medo de sentir-se não feliz. Digo não feliz porque temos medo de sentir (ou pelo menos de admitir, como o próprio texto coloca) qualquer outro sentimento como tristeza, raiva, ansiedade, medo, insegurança, frustração e euforia. Como se a felicidade fosse um antídoto para esses “estados mentais anormais”.
Uma vez ouvi uma metáfora que acho que cabe muito bem aqui. As pessoas tendem a achar que um indivíduo “feliz” ou equilibrado se assemelha muito a uma rocha: estável, inabalável, forte. Mas na verdade, a pessoa verdadeiramente equilibrada se parece muito mais com um móbile.
E o que é um móbile se não um todo feito de várias partes – e que, diga-se de passagem, quanto mais partes tem, mais atraente é – que se estiverem em perfeitas condições sempre farão com que o todo volte naturalmente ao equilíbrio mesmo depois de um tapa, uma mexidinha, uma brisa ou uma ventania?
Como todo grande avanço em termos sociais, políticos ou econômicos sempre teve como mola propulsora o sofrimento generalizado da Humanidade, acho que o efeito colateral desse grande “lançamento” do século XX contribuirá, sobremaneira, para que a humanidade inicie sua caminhada rumo ao equilíbrio.
Se nós não quisermos sucumbir ou ver nossos filhos sucumbirem a essa propaganda enganosa de consumir felicidade - e acabar levando para casa uma saco cheio de vazio - a única saída é buscar o equilíbrio. A única saída é tomar conhecimento das partes que compõem o todo, aceitá-las e sair por aí virando móbile, sem a menor pretensão de ser feliz!
Foto de sxc.hu.

Protesto contra o aumento da gasolina

Posted: 03 May 2011 10:37 PM PDT

Protesto contra o aumento da gasolinaDurante algum tempo muitos consumidores tentaram organizar protestos contra o aumento de gasolina de uma forma ineficiente. A ideia era boicotar os postos BR, abastecendo apenas em postos de outras bandeiras. O problema é que 300 pessoas deixarem de fazer algo não impacta tanto, pelo menos a ponto de chamar a atenção da mídia.
Entretanto, tomei conhecimento de um movimento contra os sucessivos aumentos do preço dos combustíveis que está dando o que falar. Ao invés de deixar de fazer, essas centenas de pessoas resolveram fazer algo: escolher um determinado posto (geralmente BR), marcar um horário para todos se encontrarem e abastecer apenas R$ 0,50, se possível no cartão de crédito, e exigindo a nota fiscal. E parece que tem dado muito certo.
O intuito deste artigo, portanto, é apresentar o movimento “Na Mesma Moeda“, mostrar o que cada consumidor deve fazer e disponibilizar alguns vídeos e reportagens comprovando a repercussão do protesto.

O que é o protesto “Na Mesma Moeda”?

É um movimento para protestar pacificamente contra o aumento do preço dos combustíveis. Para tanto, vários grupos estão se reunindo em diversas cidades e combinando de abastecer em algum posto, pagando apenas R$ 0,50. A proposta é que esse valor não cobre os custos do revendedor com tributação, emissão de nota fiscal e tarifas da administradora do cartão de crédito.
De acordo com o site do movimento, a ideia de criar este protesto pacífico foi de um grupo de publicitários de Goiânia (GO), revoltados com a notícia do aumento da gasolina para absurdos R$ 3,19 (eu achando péssimo o preço de R$ 2,79 aqui em Recife).

Como funciona?

Basta marcar um local e divulgar para que as pessoas possam se encontramos em algum lugar e é feito uma carreata até ao posto de gasolina escolhido. Chegando lá, cada um abastece no máximo 50 centavos, pede a nota fiscal e tudo que você tiver direito.
A intenção é tornar o custo desse abastecimento mais alto que o lucro que o posto teria com a venda do combustível. Fazendo com que o revendedor sinta no bolso o quanto pesa o pagamento de tributos. Se o posto aceita e se voce tiver, pague com cartão de crédito.
Para saber mais detalhes sobre como protestar, recomendo a leitura da secão que trata desse tópico no site do movimento.

Repercussão na imprensa

O protesto já ocorreu em várias cidades e muitas outras já estão se organizando. Tanto que já foram criados eventos no Facebook divulgando os protestos em Florianópolis e Recife. Além disso, há vídeos pela internet relatando os protestos que já ocorreram. Assistam a seguir os vídeos dos protestos em Goiânia (que acredito ter sido o primeiro deles) e em Belo Horizonte:

Goiânia

Belo Horizonte

O que acharam do protesto?

Se já tiver ocorrido o movimento em sua cidade, comente sobre a repercussão. Se ainda não ocorreu, mas já estiver marcado, participe. Se ainda não há nada marcado, que tal organizar? Acredito ser uma forma bem bacana de protestar pacificamente e que pode trazer bons resultados, tanto que as proporções que o protesto tem tomado são bem relevantes.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Investidores fogem da bolsa de valores: Por quê? O que está faltando?

Posted: 02 May 2011 07:17 AM PDT
Investidores fogem da bolsa de valores: Por quê? O que está faltando?A BM&F Bovespa lançou, em meados de 2010, uma campanha agressiva em busca de uma meta: A Bolsa de São Paulo pretende atingir cinco milhões de investidores (pessoas físicas) até 2015. A estratégia conta com a presença carismática do Rei Pelé, cuja carreira serviu de analogia para o entendimento do grande público sobre as tendências de alta e queda das ações e seu potencial de valorização/rentabilidade.
Até agora, os resultados alcançados tem se mostrado abaixo da expectativa. De acordo com a BM&F Bovespa, de setembro de 2010 a março deste ano aproximadamente 33 mil pessoas deixaram a bolsa. Outros números demonstram que o investidor brasileiro ainda vê com grande desconfiança o investimento em bolsa de valores, acompanhe:
§ No ano de 2011, no primeiro trimestre 6.498 deixaram a bolsa, mantendo a tendência negativa do final de 2010;
§ A participação do home broker no número de negócios da bolsa foi de 24,95% em março de 2011. Como base de comparação, em fevereiro o percentual era de 26,23%;
§ O número de clubes de investimento, um dos grandes trunfos de popularização do investimento em bolsa de valores, caiu de 3.054 no final de 2010 para 3.015 no final de março de 2011.
Publicidade para encontrar novos investidores
Algumas corretoras, inclusive apoiadas pela BM&F Bovespa, começaram a apresentar peças publicitárias em veículos de comunicação tradicionais, seguindo a tendência aberta pela própria Bolsa de Valore se São Paulo, que esteve presente, com o garoto propaganda Pelé, durante os intervalos do Jornal da Globo e também em outras TVs, revistas e jornais.
Fica claro que, até o momento, a estratégia tem se mostrado falha. Posso citar diversos quesitos que levam ao insucesso até o momento da iniciativa: o primeiro e mais claro é justamente o entendimento por parte da população do que realmente significa investir na bolsa de valores, quais suas peculiaridades e necessidades. O segundo ponto pode ser a segmentação do público, aceitando a realidade de que talvez esse investimento não seja para todos.
O terceiro e talvez principal ponto que merece uma reflexão aprofundada diz respeito à forma como as corretoras trabalham o relacionamento com os investidores. Arrisco até a dizer que esse é um dos gargalos e grandes desafios em relação a não manter os investidores atuais (que estão saindo da bolsa) e à conquista de novos participantes no mercado.
Resistência em se aproximar dos investidores
Já tive a oportunidade de participar de alguns projetos relacionados à Bolsa e percebi que as corretoras estão longe dos investidores. Penso que é o momento de tê-los mais perto. Por que não, por exemplo, convidá-los para conhecer o funcionamento das suas mesas de operações ou mesmo para um cafezinho informal?
Sinto que falta relacionamento físico entre investidores e corretoras. Onde fica a corretora, quem são seus profissionais? Com quem o investidor pode falar, conversar? Falta vontade de se relacionar, mas, paradoxalmente, sempre surgem novas opções de contato: calls, chats, fóruns e outras ações que só levam o investidor para longe da estrutura física das corretoras. Contato é diferente de relacionamento.
Já é tempo de perceber que quando o assunto é dinheiro, faz toda a diferença o olho no olho e a demonstração evidente de confiança que nasce no relacionamento próximo. Confiança e proximidades tão necessárias para mostrar que a bolsa é um investimento de risco, mas também um poço de oportunidades para quem se interessar a estudar o seu funcionamento.
Faltam opções para o pequeno investidor
Há também a questão operacional da Bolsa que precisa ser levada em conta. O mercado fracionário, tão divulgado como estratégia para o pequeno investidor, não oferece o mesmo apelo que o mercado tradicional. Investir em um lote inteiro de uma ou duas empresas ainda é uma realidade distante para a maior parte dos brasileiros, uma classe média com renda crescente, mas ainda sem cultura de investimentos.
Os ETFs (Fundos de Índice) parecem ser uma boa alternativa para quem deseja diversificar e começar a investir com pouco dinheiro. Novos fundos deste tipo surgem dia após dia, mas a liquidez e os detalhes ainda assustam alguns investidores. Há também a questão da concentração bancária somada à desinformação. Os bancos desencorajam o investimento em ações diretamente para venderem seus fundos e demais produtos de investimento.
Até 2015 muito pode (e deve) ser feito para avançarmos no modelo proposto: investir em educação financeira, relacionamento e argumentos em favor dos investimentos em renda variável são alguns exemplos. Caso contrário, os investidores continuarão buscando outros produtos para investir e outros canais de relacionamento. Os gerentes de banco agradecem!
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Foto de sxc.hu.